quinta-feira, 22 de setembro de 2016

BEM VINDA PRIMAVERA









Primavera
Cecília Meireles

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Escolhe o Programa Certo


Teu corpo é como um rádio, e teus pensamentos , sentimentos e palavras faladas são interruptores com os quais te ligas a uma certa frequência !
A única diferença é que teu corpo tem a capacidade de receber vibrações mais elevadas do que um receptor de rádio.
Tua consciência é o dirigente do teu " rádio ". Teu mundo de hoje te mostra quais programas escolhestes no passado.
Nunca mais te ligues a programas de medo,de dúvida,de raiva!
ATRAVÉS DO MEDO TE TORNAS EXPOSTO A AGRESSÕES E MANIPULAÇÕES EM TODAS AS ESFERAS DA TUA VIDA !
Abre-te aos caudais de Luz da tua Divina Fonte, coloca a torrente de Luz contra o medo, a doença e todas as imperfeições deste mundo. Tua és um filho da Luz e estás abrigado na Divina corrente da misericórdia.
Preenche tua casa, tua família e tudo ao teu redor com esta divina perfeição - não permitas mais outros pensamentos.
Tu és um ser de Luz - inatingível pela escuridão e inferioridade. Tua vestimenta protetora de Luz  com a luminosa aura violeta te envolve e tu sabes :
" A ESCURIDÃO SE RETIRA DIANTE DA IRRADIAÇÃO VIOLETA "
Dize sempre :
Eu estou unido às Forças da Luz - Eu Sou uma parte delas!
EU SOU LUZ !

Saint Germain

terça-feira, 31 de maio de 2016

PORQUE CONFIAR EM SI MESMO?


A confiança só será possível se primeiro tiver confiança em si próprio. E isto deve começar por acontecer dentro de si. Se tiver confiança em si próprio, poderá ter confiança em mim, poderá ter confiança nas pessoas, poderá ter confiança na existência. Mas, se não tiver confiança em si próprio, então nunca mais será possível ter confiança em mais ninguém. E a sociedade corta a confiança pela raiz. Não permite que você confie em si próprio. Ensina-lhe todo o tipo de confiança - confiança nos pais, confiança na Igreja, confiança no Estado, confiança em Deus, ad infinitum. Mas a confiança básica é completamente destruída. E depois qualquer outra confiança será uma impostura, estará destinada a ser uma impostura. E então qualquer outra confiança não passará de meras flores de plástico. Não há em si raízes verdadeiras que lhe permitam fazer nascer flores verdadeiras. 

A sociedade faz isso deliberadamente, de propósito, porque um homem que confie em si próprio é perigoso para a sociedade - uma sociedade que depende da escravidão, uma sociedade que investiu demasiadamente na escravidão. Um homem que confie em si próprio é um homem independente. É impossível fazer previsões a seu respeito, ele movimentar-se-á conforme quiser. A liberdade será a sua vida. Confiará quando sente, quando ama e, nesse caso, a sua confiança conterá em si uma grande intensidade e verdade. Então a sua confiança será viva e autêntica. E ele estará pronto a correr todos os riscos pela sua confiança - mas só e apenas quando ele a sente, apenas quando ela é verdadeira, apenas quando ela mexe com o seu coração, apenas quando ela mexe com a sua inteligência e com o seu amor. Não se pode forçar esse homem a ter qualquer espécie de crença. 

Esta sociedade depende da crença. Toda a sua estrutura assenta na auto-hipnose. Toda a sua estrutura se baseia na criação de robôs e de máquinas, não de homens. A sociedade precisa de pessoas dependentes — e é tanto mais assim quanto elas estão constantemente a precisar de ser tiranizadas, tanto mais assim quanto elas andam sempre à procura dos seus próprios tiranos, dos seus próprios Hitler, dos seus próprios Mussolini, dos seus próprios Estaline e Mao Zedong. Transformámos esta terra, esta terra tão bela, numa grande prisão. Umas quantas pessoas famintas de poder reduziram a humanidade inteira a uma populaça. Ao homem só é permitido existir se ele se comprometer com toda a espécie de disparates. 

Osho, in 'Intimidade' 

terça-feira, 3 de maio de 2016

Visita inesquecível



Tudo na Provence convida à contemplação .


O sol parece entender a necessidade de iluminar as lavandas por mais tempo e só vai embora as 21:00 hs


Saudade ...muita saudade !

domingo, 17 de janeiro de 2016

Siga seu êxtase


Você tem a habilidade de direcionar seus próprios pensamentos

Você tem a habilidade de direcionar seus próprios pensamentos; tem a opção de
observar as coisas como elas são ou de imaginá-las como quer que elas sejam – e
independente da opção que escolha, esteja você imaginando ou observando, o poder é o
mesmo.
Você tem a opção de lembrar-se de algo como se estivesse acontecendo agora ou
imaginar esse algo como você preferia que estivesse acontecendo. Você tem a opção
de lembrar de algo que lhe dá prazer ou de algo que não lhe dá prazer. Você tem a
opção de antecipar algo que você quer ou algo que não quer. Em cada caso, seus
pensamentos produzem uma vibração íntima que iguala seu ponto de atração e, assim,
circunstâncias e eventos se alinham harmonizando-se com as vibrações que você emite.
Você tem a habilidade de colocar sua atenção em qualquer coisa que decida, assim é
possível distrair-se de algo não desejado e colocar a atenção em algo desejado. Mas
quando uma vibração íntima é uma que você tem praticado, a tendência é continuar
emitir a vibração da forma que você tem praticado – não importa quanto você deseje
que seja diferente.
Não é difícil mudar o padrão de sua vibração, principalmente quando você entende que
pode mudar pouco a pouco. Assim que você entende como as vibrações funcionam,
como afetam sua experiência e, mais importante, o que suas emoções dizem sobre suas
vibrações, então você pode fazer grande progresso no intuito de alcançar qualquer
coisa que você deseja.




do livro Peça e lhe será concedido
de Esther e Jerry Hicks

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Eu tive que aceitar


Eu tive que aceitar que meu corpo não é imortal, que ele envelhecerá e um dia se acabará.
Eu tive que aceitar que eu vim ao mundo para fazer algo por ele, para tentar dar-lhe o melhor de mim, deixar rastros positivos de minha passagem e , em dado momento, partir.
Eu tive que aceitar que meus pais não durariam para sempre, que meus filhos pouco a pouco escolheriam seus caminhos e prosseguiriam sua caminhada sem mim.
Eu tive que aceitar que eles não eram meus como supunha e que a liberdade de ir e vir é um direito deles também.
Eu tive que aceitar que todos os meus bens foram me confiados por empréstimo, que não me pertenciam e que eram tão fugazes quanto fugaz era a minha própria existência  na Terra.
Eu tive que aceitar que os bens ficarão para uso de outras pessoas quando eu já não estiver por aqui.
Eu tive que aceitar que varrer minha calçada todos os dias não me dava nenhuma garantia de que ela era propriedade minha e que varrê-la com tanta constância era apenas um fútil alimento de que eu dava à minha ilusão de posse.
Eu tive que aceitar que o que eu chamava de " minha casa " era só um teto temporário, que esse teto, dia a mais, dia a menos, seria o abrigo terreno de outra família .
Eu tive que aceitar que o meu apego às coisas só apressaria ainda mais a minha despedida e a minha partida.
Eu tive que aceitar que meus animais de estimação, a árvore que plantei , minhas flores e minhas aves eram mortais; eles não me pertenciam!
Foi difícil, mas eu tive que aceitar.
Eu tive que aceitar as minhas fragilidades, os meus limites, a minha condição de ser mortal, de ser atingível, de ser perecível.
Eu tive que aceitar para não perecer !
Eu tive que aceitar que a vida sempre continuaria com ou sem mim ,e que o mundo em pouco tempo me esqueceria.
Eu me rendi e aceitei que eu tinha que aceitar.
Aceitei para deixar de sofrer, para lançar fora o meu orgulho, a minha prepotência e para voltar à simplicidade da natureza, que trata a todos da mesma maneira, sem favoritismo.
Humildemente eu confesso a ti que foi preciso fazer cessar uma guerra dentro de mim.
Eu tive que me desarmar e abrir meus braços para receber e aceitar a minha tão sonhada paz!

Silvia Schimidt

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Faxina

Inicio de ano é sempre bom fazer uma faxina com calma , abrindo cada gaveta , tirando tudo do lugar e observar sem medo item por item . Muitas vezes é preciso se armar de coragem para jogar algumas coisas fora ; mas no final sempre vale a pena .

Estava precisando fazer uma faxina em mim...
Jogar fora alguns pensamentos indesejados,
Tirar o pó de uns sonhos,
lavar alguns desejos que estavam enferrujando...
Tirei do fundo das gavetas lembranças que não uso e não quero mais.
Joguei fora ilusões, papéis de presente que nunca usei, sorrisos que nunca darei...
Joguei fora a raiva e o rancor nas flores murchas
Guardadas num livro que não li.
Peguei meus sorrisos futuros e alegrias pretendidas e as coloquei num cantinho, bem arrumadinhas.
Fiquei sem paciência! Tirei tudo de dentro do armário e fui jogando no chão:
paixões escondidas, desejos reprimidos, palavras horríveis que nunca queria ter dito, mágoas de uma amiga sem gratidão, lembranças de um dia triste...
Mas lá havia outras coisas... belas!!!
Uma lua cor de prata... os abraços...
aquela gargalhada no cinema, o primeiro beijo...
o pôr do sol... uma noite de amor .
Encantada e me distraindo, fiquei olhando aquelas lembranças.
Sentei no chão,
Joguei direto no saco de lixo os restos de um amor que me magoou.
Peguei as palavras de raiva e de dor que estavam na prateleira de cima -
pois quase não as uso - e também joguei fora!
Outras coisas que ainda me magoam, coloquei num canto para depois ver o que
fazer, se as esqueço ou se vão pro lixo.
Revirei aquela gaveta onde se guarda tudo de importante: amor, alegria, sorrisos, fé…..
Como foi bom!!!
Recolhi com carinho o amor encontrado,
dobrei direitinho os desejos,
perfumei na esperança,
passei um paninho nas minhas metas
e deixei-as à mostra.
Coloquei nas gavetas de baixo lembranças da infância;
em cima, as de minha juventude, e...
pendurado bem à minha frente,
coloquei a minha capacidade de amar... e de recomeçar...

Martha Medeiros